O Mexico está a ficar para trás, foram quase 10.000 kms no país do
chili, e dos burritos, que vai deixar saudades e muitas coisas por ver.
Bem, mas ainda cá estou a aproveitar cada dia e por isso ainda não é altura de despedidas.
Deixamos a Bahia Concepcion com a saudade que ficou escrita e fizemos nos à estrada.
Paramos em Santa Rosalia, para fazer o almoço e ver a Igreja que o Eifell desenhou e enviou de barco em "peças". para ser construída. Eu, já só pensava na próxima paragem e o Ricardo também, por razões diferentes. Eu ía ver e tocar em baleias (lugar onde têm bebes entre Jan e Março), o Ricardo ía jantar no melhor restaurante da Baja. Tudo isto em Guerrero Negro. O lugar, é tão feio, que nem uma foto tenho, para a historia. A mim correu me muito mal, havia muito vento e cancelaram a ida para o mar. Para o Ricardo correu bem, ceviche de vieiras, peixe, burritos de peixe...tudo delicioso.
As previsões para a manhã seguinte eram iguais ou piores :( Quis vir embora na hora! Mas não se deve guiar depois dopor do sol no Mexico...De manhã, bem cedo, porque a hora entretanto muda (dif de 8h com Portugal), ou seja, o Manel acordou ás 6h, arrancamos m direcção à Bahia de Los Angeles.
O caminho é fabuloso, vale a pena só fazer o caminho de trás para a frante. O lugar onde ficamos, parece Beirute. O Visual não á mau, mas não podemos olhar à volta. É só para dormir...
Voltamos à estrada e queremos dormir em Catavina. Reencontramos uns ingleses, muito porreiros, que estavam numa das praias da Bahia e também íam para lá. O caminho foi surrealista, estava um vento ciclonico (o mesmo que não me deixou ir ás baleias) e a Pura Vida não andava mais de 60kms/hora. Chegamos ao destino e nao pudemos ficar. Tive muita pena, era um sítio lindo de morrer, mas não conseguíamos nem sair da caravana e o Manel levantava vôo... Despedimos-nos dos Ingleses, comemos uma enchilada (comeu o Ricardo, eu nao fui capaz) e seguimos...
Não há bombas de gasolina em varias partes do deserto. Há uns "cowboys" com tanques a vender gasolina, bem mais cara, na estrada. Não temos outro remédio.
Lemos no guia, que há um lugar em Sta Rosario que tem os melhores burritos de lagosta da historia. Este é o genero de paragem que com ou sem vento, o Ricardo não deixa escapar! Lá fomos, muito bons!!! e ainda por cima cheio de fotos do Rallye da Baja, estava ddooiidddooo!
O dia estava a acabar, fizemos muitos kms e tínhamos de parar. Chegamos a San Quitin, ficamos atrás de uma duna, protegidos do vento. De manhã, estava um dia lindo, nesta praia onde não se vê o fim do areal. Eramos os únicos. Sem vento e a pensar ainda nas baleias, lá fui...
3 de março de 2012
2 de março de 2012
Bahia Concepcion parte II
El Coyote. Esta foi a praia
que nos encheu as medidas durante 5 dias. Pensamos em ficar um dia apenas e um
espanhol (o 1º que encontramos) a viajar à boleia há 2 anos disse-nos”1 noite
apenas?!? É o que todos dizem…” Bingo!
O Spot era bom, mas os outros
também, a água era cristalina, mas a outra também…o que fez a diferença nesta
praia foram as pessoas que lá estavam. Todos a viajarem sozinhos, e por isso talvez mais
abertos à conversa. São todos repetentes do Coyote e
receberam-nos tão bem nesta “casa” deles.
Paga-se €5 por noite para
aqui ficar sem direito a energia, net, nada…mas logo no dia seguinte percebemos
que nada nos ía faltar. Passam na praia vendedores de morangos, de laranjas, de
camarões e peixe fresco quase todos os dias. Eles pescam quase todos os dias,
eu compro.
Este, foi um lugar que nos
custou especialmente deixar, parece que ficou lá qualquer coisa, um bocadinho
de nós.
Jeff : 36 anos, Canadiano,
foge dos -40 graus que teria em casa, viveu em tantos países que até no
Alentejo ficou 1 ano. O Manel adoptou-o como amigo oficial desta praia. Fugia para a caravana dele, cheia de ferramentas que ele deixava mexer
Dan: Do Colorado, sessentão,
bon vivant que depois de algumas cervejas diz ter sido “a kind of gigolo”,
sozinho, também ele guia uma Toyota igual à nossa.
Gerry: De Washington, quase
setentão, já teve 7 vidas, fez meio mundo de kayak, outro meio de bicicleta, já
foi casado, professor de ski na suiça e deve ter sido cá um borracho em
novo! vem há 30 anos para o Coyote e fala com uma sabedoria das coisas… ainda é
arquitecto e passa a vida a viajar.
Jean: Canadiano do Quebec,
mais timido, mais certinho. Trabalhou que se fartou e agora tirou 1 ano
sabático. Lê livros sobre conspiracões e fenomenos paranormais, tivemos
conversas bem boas.
Neste recanto do mundo, onde
a água é fria, onde os golfinhos aparecem, onde as mantas mordem, e onde as
fogueiras trazem conversas e as estrelas parecem tocar nas nossas cabeças,
deixamos um bocadinho de nós.
Ficou frio, tivemos de ir…
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